quinta-feira, 20 de setembro de 2012


PM vai ao bar em São Paulo orientar motoristas (um bom exemplo)
 
 
colaboração Milton Corrêa da Costa
 
Motoristas que estiverem bebendo nos bares poderão ser abordados, a partir deste fim de semana, por policiais militares fardados, para conversar sobre os riscos de dirigir após beber e para receber orientações sobre “direção segura”. A iniciativa faz parte de um conjunto de ações anunciado nesta terça-feira pelo governo do Estado durante a Semana Nacional de Trânsito.
Segundo o comandante-geral da PM, coronel Roberval Ferreira França, durante as abordagens, os policiais vão distribuir panfletos com orientações sobre respeito aos limites de velocidade, aos pedestres, sobre uso de celular enquanto o motorista dirige e, claro, sobre evitar beber antes de dirigir. Mas ele diz que essa é apenas uma das 14 ações que a PM vai adotar até o fim deste ano. “É um conjunto, que inclui propaganda na TV e no rádio”, explica.
Na capital, segundo o capitão Paulo Oliveira, do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran), ainda está sendo definido se os policiais que abordarem motoristas nos bares vão levar o bafômetro. Entretanto, mesmo com o aparelho as ações terão caráter educativo. Oliveira afirma que as abordagens nos bares servem para alertar o cidadão sobre a presença de policiais na área.
As ações da PM foram anunciadas ontem em um seminário no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado. No evento, a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional também divulgou uma agenda de ações – a secretaria é a atual gestora do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Ao todo, o investimento é de R$ 85 milhões.
Um dos destaques é a criação da Escola Pública de Trânsito, que nasce com orçamento de R$ 15 milhões para dar cursos online para motoristas. O curso não é obrigatório, mas a ideia, segundo o secretário de Planejamento, Julio Francisco Semeghini Neto, é que sejam criados incentivos para os motoristas aderirem ao programa – como, por exemplo, a possibilidade de não sofrer punição por infrações leves de trânsito. “Se você é voluntário, faz todos os cursos, assume um compromisso e, depois, se transforma em um bom motorista, você vai perdendo pontos.”
Para isso, entretanto, o secretário Semeghini disse que seria preciso uma regulamentação específica por parte do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) – o que não tem nenhuma data prevista para acontecer. Os primeiros 3 mil alunos dos cursos serão funcionários do Detran, que terão aulas a partir do mês que vem.
Outra novidade anunciada pelo governo é a criação do Infocrim do Trânsito, um sistema que vai coletar informações de todos os acidentes de trânsito do Estado, com data, hora e local, e será usado para adoção de medidas que tornem as vias mais seguras.
 
Fonte: Estadão.com.br (18/09 )
 
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UPP da Rocinha: a vitória da sociedade contra o banditismo 

 

 Milton Corrêa da Costa

 
 
A instalação, nesta quinta- feira 20/09, da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, assim como foi a ocupação do Complexo do Alemão e suas cercanias, pela união da forças de segurança, no memorável 25 de novembro de 2010, é um marco histórico da política de segurança do Estado, num projeto vitorioso de pacificação de comunidades até então submetidas, durante longos anos, ao medo, ao terror e à opressão das  arrmas de guerra, onde infelizmente algumas ainda se encontram sob o domínio de narcoterroristas em favelas não pacificadas, apesar da dura e permanente repressão policial.
 
 
A Rocinha, considerada até então área de difícil tomada pelas forças legais, face as suas características peculiares de favela-bairro e região extremamente acidentada (66% de sua área está acima da cota de 100m), era considerada o 'quartel general’ do poder financeiro do narcotráfico no Rio, fato que lhe conferia relevante importância estratégica na estrutura do narcoterrorismo. Situada na Zona Sul do Rio Barra da Tijuca , entre os bairros da Gávea e São Conrado, considerada a maior favela da América Latina (850 mil metros quadrados e 70 mil habitantes), a Rocinha era o principal centro de refino da pasta básica de coca no Rio, na produção da cocaína e outros derivados como o oxi e o crack - vários laboratórios de refino ali foram encontrados- além de importante centro de comércio do ecstasy, uma droga sintética muito consumida por jovens de classe média e alta. Por sua localização estratégica, situada entre a Zona Sul do Rio, atendia consumidores de drogas de maior.poder aquisitivo, os verdadeiros financiadores da violência e dos fuzis do banditismo.
 
É sabido que UPP não é projeto social, poré  é a estratégia de ordem pública que faltava para proceder a invasão social e trazer o resgate da cidadania e a paz a moradores das localidades onde estão instaladas. Na Rocinha falta saneamento básico -o índice de tuberculose na região é considerado alto- falta coleta eficiente de lixo, faltam ainda projetos de urbanismo, mas tudo isso será possível agora equacionar. Obviamente que não se pode imaginar, num processo de tamanha transformação, que moradores do local se livrem rapidamente do medo e das represálias do tráfico. As sequelas do medo e a desconfiança de moradores ainda persistirão por algum tempo. Só o tempo dará àquela comunidade e a outras já pacificadas- jã são 28 UPPs instaldas no Rio- a crença definitiva no poder legal do Estado. Haverá sempre um tempo de adaptação no aperfeiçoamento das relações polícia/comunidade, onde o policial militar precisa ser visto pelo morador da localidade como parceiro e verdadeiro defensor da cidadania e não como um simples fiscal da lei ou opressor. 

Fica constatado  também, que a era do “mitos do tráfico”, como o bandido Nem que ali reinava, é finda na Rocinha. O império agora é do poder legal do Estado, não o do medo e do terror. A consolidação da UPP na Favela da Rocinha é, portanto, o mais duro golpe até hoje desferido na estrutura econômica do narcotráfico no Rio e uma vitória da sociedade contra o banditismo. A Unidade de Polícia Pacificadora, uma estratégia de polícia de proximidade, é um novo tipo de policiamento, sólido e permanente na área de segurança pública. Uma política de estado. Um remédio atípico e eficiente para uma criminalidade atípica e violenta como a do Rio. 
 
A implantação da UPP da Rocinha representa, pois, mais um marco divisor na história policial do Rio, uma quebra de paradigmas e sobretudo a vitória da lei e da ordem. Ao governador Sérgio Cabral, ao secretário José Mariano Beltrame, ao aparelho policial do estado e aos dois policiais militares, que durante o processo de pacificação da localidade tombaram mortalmente no cumprimento do dever, os aplausos de toda a sociedade.O preço da liberdade e da paz social é a eterna vigilância. O sonho da paz agora é real.

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Milton Corrêa da Costa é tenente coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro
 

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