Milton Corrêa da Costa
Enquanto em São Paulo e em outros estados a menina dos olhos de assaltantes é roubar caixas-eletrônicos mediante explosão ( em cinco minutos um caixa pode ser explodido e roubado) ou ainda através do antigo maçarico ( o tempo da ação delituosa é maior), no Rio de Janeiroa ação violenta, em assaltos a agências bancárias ou a carros-fortes, contra seguranças, vigilantes e policias, volta a desafiar os setores de segurança pública e privada.
Na manhã de ontem (08/05), três bandidos tentaram assaltar um carro-forte que fazia o desembarque de dinheiro numa Agência da Caixa Econômica. O fato, que envolveu intenso tiroteio, assustando transeunte, se deu no bairro da Pavuna, na Zona Norte do Rio. É o segundo caso em uma semana no Rio. Na violenta ação desta terça-feira, um sargento da Polícia Militar e um vigilante acabaram morrendo. Um dos suspeitos também morreu após ser preso com uma pistola, chegando ofegante à Delegacia Policial, sendo levado para o Hospital Carlos Chagas, onde faleceu. Um dos assaltantes fingiu se render ao ser preso mas repentinamente reagiu sacando uma pistola ferindo mortalmente, com tiro no peito e na cabeça, o sargento Marcelo Afonso de Oliveira, levando consigo o fuzil do policial.
Na manhã de quarta-feira (02/05) da semana passada, uma troca de tiros entre criminosos e seguranças de um carro-forte assustou quem passava pela Avenida Ernani Cardoso, em Cascadura, na Zona Norte do Rio. Bandidos tentaram assaltar o carro forte, mas houve revide dos seguranças. O veículo de transporte de dinheiro ficou avariado. Segundo a PM, o bando fugiu sem nada levar. Ninguém se feriu.
Na noite de 16 de abril último oito criminosos fortemente armados e com toucas ninja, assaltaram uma agência bancária, no bairro de Jardim América, Também na Zona Norte. Os criminosos levaram R$ 275.607. De acordo com o Batalhão de Olaria (16º BPM), os suspeitos invadiram a agência e usaram uma marreta para quebrar o vidro da entrada do banco. Eles renderam os seguranças e o gerente, que ainda estava no local.
Tais relatos nos demostram claramente que a ação violenta de bandidos não dá tréguas no Rio de Janeiro, na busca dos lucros do crime, perdidos pelo projeto UPPs que afetou consideravelmente as finanças de quadrilhas de traficantes no comércio de drogas. É o efeito colateral do sucesso das UPPs onde bandidos passam a ficar mais audaciosos e não se intimidam quando o assunto é roubar agências bancárias ou carros-fortes de empresas de segurança, veículos ou assaltar residências e ainda efetuar sequestros-relâmpago (um estudante foi vítima de um sequestro relâmpago na manhã de ontem no campus da UFRJ, na Ilha do Fundão, permanecendo duas horas em mãos de bandidos que sacaram seu dinheiro em caixas eletrônicos, levando ainda alguns de seus pertences, o deixarando finalmente na Vila do João, no Complexo do Maré). É o fenômeno cíclico e dinâmico do crime, associado ao elemento surpresa, onde qualquer um pode ser a próxima vítima.
Para a polícia, a falta de investimento em alguns detalhes do setor bancário, por exemplo, acaba facilitando a ação dos assaltantes. Algumas agências ainda relutam em não instalar câmeras de segurança com circuito interno de TV, o que dificulta a investigação policial. A porta giratória também é um investimento que inibe assaltantes. Mas nem todas as agências contam com esse item de segurança e isso facilita a ação dos bandidos. Sistema de danificação de notas, quando do assaltos a caixas eletrônicos ( notas que saiam manchadas de tintas ou que se incendeiem) é outro investimento que não se pode mais abrir mão para desencorajar assaltantes.
Poucas agências dispõe também de garagens internas para estacionamento de carros-fortes e transporte mais seguro dos malotes, sendo facilitada a ação do banditismo ao estacionarem em via pública em frente as agências bancárias onde vigilantes passam com o dinheiro pela calçada, no meio dos pedestres. Um problema de segurança privada que acaba estourando, como no assalto a um carro-forte ontem, no bairro da Pavuna, nas mãos da segurança pública.
Cuidado e atenção dos agentes, nos momentos cruciais de desembarque e entrega ou no recolhimento de malotes, nem sempre são observado. Qualquer desatenção pode ser fatal. A prevenção continua sendo o melhor remédio nesse caso. É preciso saber inclusive como andam, nas empresas de segurança, o treinamento e a reciclagem de seus agentes e se há fiscalização pelo órgão competente (vide Portaria 387/06 do Departamento Geral de Polícia Federal).
Com relação ao trabalho policial é preciso investir, cada vez mais, no trabalho e estrutura necessária para investigação de quadrilhas de assaltantes, geralmente ligadas ao tráfico de drogas. A inteligência policial e ação proativa da polícia repressiva, na busca de bandidos em seus homizios de morros e favelas, é ação preventiva indispensável para estancar a torneira da violência no nascedouro do crime.
Neste momento os carros-fortes voltaram a despertar a atenção dos bandidos, como alternativa para repor os lucros perdidos pela dura e constante repressão ao tráfico no âmbito do Estado do Rio de Janeiro. Quando o assunto é assaltos a agências bancárias e a carros-fortes, todo investimento, atenção e publicidade das medidas preventivas, para desecorajar o crime, são poucos. É preciso crer neste postulado.
Milton Corrêa da Costa é coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro
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